Em Bom Jardim, bebê morre e família denuncia negligência

Fotografia de bebê

No dia 6 de setembro, os pais de Ryan o levaram para o Hospital Municipal Dr. Miguel Arraes de Alencar. Segundo a mãe, Fabiana Aguiar, o bebê de apenas 7 meses apresentava desconforto na área da barriga, cabeça com a temperatura elevada e gemia bastante.

Ainda segundo a mãe, após a aferição de temperatura ela teve que aguardar por cerca de 1 hora a chegada do médico Rafael Duque. Quando foi atendida, o médico receitou Tylenol e liberou a criança sem ao menos examiná-la.

Confira o depoimento da Mãe:

Venho aqui deixa minha indignação pelo que aconteceu com meu anjinho, no domingo dia 05.

A partir das 13:00 horas meu pequeno deu febre dei remédio na mesma hora, de 14:00 hora coloquei o termômetro e a febre abaixou, depois disso ele passou o resto da tarde. Veio a noite ele brincou na cama com o pai depois levei ele pra sala ele brincou com a bisa vó, ele estava normal um menino sorridente, dormiu a noite todinha.

No dia 06 quando amanheceu ele começou a gemer, medi a temperatura não estava com febre só a cabeça quente e a barriga inchada e com dor, dei dipirona pra passar a dor não passou mandei o pai compra Luftal aí eu dei, quando deu 15:00 horas não aquentando ver ele gemendo de dor levei para o hospital. Cheguei lá de 15:40, conferiu a temperatura e deu normal não estava com febre.

Fiquei esperando na recepção, perguntei se o médico estava atendendo mim falaram que o médico estava atendendo o paciente da Covid, passei uma hora esperando quase e meu pequeno gemendo de dor. Nisso perguntei ao enfermeiro se ia demorar ele disse não sei, quando o médico chegou ele chamou pra entrar pra sala, entrei ele perguntou:

— Mãe, o que foi?

— Doutor, ele tá com a cabeça quente e a barriga doendo passou o dia no meu braço e gemendo o dia todo.

Falei o procedimento que eu fiz como citei no começo, ele fala:

— Mãe, dê Tylenol que é muito bom.

— Mas para meus filhos nunca funcionou.

— Todas as crianças que eu índigo funciona, compre e dê a ele. É o que eu posso passar.

— Mas não tem outro remédio que sirva pra passar a dor dele doutor? Ele ta mole.

— Não posso passar outro não, só esse. E ele está mole porque a barriga está doendo né mãe?! Mas é normal.

— Normal doutor? Ele nem senta, está o dia todo no braço. Você não vai examinar ele não doutor?

— Ele não precisa, mãe. Ele está mamando, fez coco e não vomitou. Então é assim mesmo, ele ficar mole é normal. Compre o Tylenol com 3 dias ele fica bom.

— Então escreva que eu compro.

— Se ele não melhorar posso trazer amanhã?

— Agora essa hora não tem como fazer um exame. Amanhã é feriado, você leve ele para Limoeiro que lá faz o exame nele.

Eu pensei assim então amanhã não tem médico em Bom Jardim? Então fui embora, passei na farmácia e comprei. Cheguei em casa de 17:36 e dei o remédio, e quando deu a hora de ele toma de novo (21:00) eu dei e deitei. Mas ele estava muito inquieto, me levantei com ele e quando olhei para o meu filho ele já estava com a boca roxa e todo amarelo parecendo mancha roxa. Fui socorrer, mas infelizmente meu filho morreu nos meus braço na saída para o hospital...

O relato foi feito por meio das redes sociais e tem gerado comoção. Hoje (09/09) a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, liberou uma nota relatando o ocorrido.

Nota de Esclarecimento da Prefeitura de Bom Jardim - PE 

Confira na íntegra:

A Prefeitura Municipal do Bom Jardim através da Secretaria Municipal de Saúde vêm esclarecer a toda população, a respeito de alguns fatos que estão sendo publicados em redes sociais em virtude de uma fatalidade ocorrida nesta última segunda-feira, dia 06 de setembro de 2021. Durante o período da tarde, por volta das 15h, deu-se entrada no Hospital Municipal, o paciente R.A (7 meses), acompanhado de seus pais, sendo o mesmo de imediato devidamente atendido. O menor deu entrada com queixa de distensão abdominal (“abdômen crescido") e fezes amolecidas (“diarreia”) há menos de 12 horas. A criança encontrava-se ativa, reativa, eupneico (com boa respiração) e sem febre no momento da consulta. O médico Dr. Rafael Dutra prontamente medicou a criança, dentro da conduta médica, e orientou os familiares a retornarem, se necessário, ao hospital, caso a criança não apresentasse melhoras.

Por volta das 23h55min, os pais da criança retornaram ao hospital com o menor já em óbito, onde a mesma apresentava cianose em região oral e extremidades, o que justifica o diagnóstico de uma possível cardiopatia congênita (independentemente da conduta médica, a criança com cardiopatia congênita tem a expectativa de vida reduzida, falecendo ainda na infância). De imediato, toda equipe médica e de enfermagem, prestaram as devidas condutas para reanimação. Salientamos que o médico citado, atua há mais de 10 anos, inclusive em outras gestões em nossa cidade, pautando sua conduta médica com ética em relação à vida humana. Infelizmente o que veio a acontecer foi uma fatalidade que poderia ocorrer em qualquer unidade de saúde e com qualquer profissional que está em constante luta pela saúde da população.

Estamos prontos e solícitos aos familiares para toda e qualquer informação do prontuário e para qualquer tipo de esclarecimento. Em nenhum momento houve imprudência, negligência ou imperícia da equipe que configure qualquer conduta atípica, ilícita e culpável, não ensejando responsabilização aos agentes. Lamentamos a fatalidade ocorrida e rogamos a Deus que conforte os corações da família neste momento de dor. Colocamos-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.

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